sábado, 19 de novembro de 2011

Rezas

por Ana Chiara


Só muita reza
Pra nos descolar dos CHATOS!
e de nossa chatice íntima,
daquilo que nos martela.
do que nós cola, lama, lamela,.
Nossa Senhora dos Absurdos,
livrai-nos da fumaça pegajosa
dos fatos e dos chatos.
Protegei-nos da queda
no chão do real
Nem Bataille, nem os acéfalos
nem DADA
nem Raúl Antelo
nos tiram de nossa ilha infernal
Nossa Senhora Absurda,
Livrai-nos do nosso mal
Vida que segue.;.



Prece de São Paulo

Faz sol faz sol
oferto meu corpo
à feroz primavera de Rimbaud
a enxergar a escrita da mudança
aonde vai dar.


Reza de Floripa

dia estranho
vento frio zunindo
um homem tenebroso
sete vezes sete
vezes
grita
sol
solidao
na ilha
minha filha



Nossa Senhora da Alegria

Nossa Senhora da Alegria, Mãe amada, Consolo e Esperança, acolhe-me em teu manto. Soprai em meu coração a SUAVE ALEGRIA e a compreensão de todas as coisas. Preenche meu coração ansioso com o júbilo da aceitação da vida mínima, das cores do dia e da sombra da noite. Fortalecei as fibras do meu coração para que eu viva, a cada dia, aquele dia, sem mágoas do passado e com esperanças no futuro. Embalai-me com os cânticos angélicos quando eu fraquejar. Não permita que a tristeza me impeça os movimentos, nem o desânimo ate meus pés. Mantém vivas, em minha alma, a fé no que virá e a gratidão pelo que já vivi.. Dai-me contentamento, bom humor, vivacidade, exultação, glória e gozo de cada momento vivido.



Nossa Senhora do Desterro


Deixa que eu vá
cada vez mais
pra longe de mim.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Poemas do poço

por Ana Chiara

(Este poema vai pra vc. com um sorriso)


Do fundo do poço,
meu amigo,
saltam novos
os melhores poemas.

os bororo crianças
poemas nascentes
de antes
os poemas do poço.

No mirante
do depois
os azuis
do Azul maior,
sem corrigir os fatos...


Ana Chiara 12/09/2011

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A kiss

por Ana Chiara

O rio parado
interrompe o movimento
fluido das horas do dia
nada se move

três cadelinhas irritantes
Pretinha e duas sem batismo

um canarinho beija o espelho
retrovisor
pensa ter encontrado a alma
gêmea
(arrebenta o peito de cantar)

arretristezas grudadas
chovidinhas.

domingo, 31/07/2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Anunciação (Fra Angelico)

por Marcelo Santos



O anjo desprende-se da arquitetura
Para dar a notícia
Precisamente conforme a traça
De sublime arquiteto

Carlos Drummond de Andrade



O anjo da notícia

Assim nascido

(Ave, Angelico!),

acordado talvez

de um ovo hermético

(em gestações secretas),

anjo-pássaro

mais canta

que anuncia

– Entre as arcadas

tolhendo

as asas-pássaras –

à contrita virgem Maria

um segredo

comprimido

no peito-ninho.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Poemas de Ana Chiara

MÁQUINA DE ABRAÇAR

Também cansa o abraço
O braço te aperta
O laço me sufoca

Misturado o braço
Às coisas físicas do mundo
Teme perder o encanto

O abraço, no entanto,
Instabilidade do músculo
Sem controle,

Sem paixão,
Coisa pouca...
Um pênis morto.




INÉRCIA

Enfrento tua resistência
Inerte horizontal.




OS MAQUINISMOS DO INCONSCIENTE

Exaurido Inconsciente
Mudo falo flácido
Abandona a carcaça

Livre a borboleta
Libido solta
Lábios leves


Metáforas azuis
Flores da ira
Colorem a inebriante manhã.



UM HOMEM SEM PAU

Por ser belo, coisa gosma
Baba, barba, larva
Um homem sem pau
Não pensa,
descansa de pensar.


Não fere, não rasga.
Escorrega
Se perde aos poucos
meio à bruma
Do rio pela manhã.

Um homem sem pau
Sai sem entrar.

ana, nov/2009

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A criança esplendorosa

 
por Fabiana Farias

para Blanchot
 
Desta criança terrível
em que foram depositadas
as maravilhas e o inacreditável do milagre,

nada restou.
 
Talvez essa incômoda ruína
que remete e mente                
àquilo que nunca fui.
 
A foto no álbum,
este olhar meio faminto
apalpando as anatomias indecentes
desta minha vida de través.
 
 
O suor salgado da véspera,
os sentimentos diluídos,
a poeira do instante.
 
 
Nua, sentei-me aos pés desta cama:
era hora de sacrificar
esta esplendorosa criança.

domingo, 6 de março de 2011

Gripe (poemeto à Mario de Andrade)

por Ana Chiara



para Evando Nascimento



uma afecção.

só faz pensar em só dormir...

não, não...

nem boas

nem más recordações.

Muco e micos

silvam no cérebro

Cidade em branco.

Tristeza, tristura,

gripe não sai...

falta agora uma irmã

para dias piores



Ana
05/03/2011